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Há alguns anos atrás realizei a primeira pesquisa com população em situação de rua do Brasil, que resultou no primeiro mapeamento formal dessas pessoas, com dados comportamentais e indicadores de relevância para o atendimento a essa demanda. Começávamos ali a diagnosticar o problema que é multifatorial, mapear, entender pra poder “tratar”. Através desse trabalho, fui indicado ao Prêmio Nobel. Levei a conclusão da pesquisa para autoridades Municipais e Estaduais da época que acreditavam que os indicadores que arrecadei eram isolados e não mereciam atenção.

Fui uma das primeiras pessoas a denunciar a epidemia de uso de “crack” nas ruas e mais uma vez, disseram que se tratavam de casos isolados sem importância, até que sabemos onde resultou. Em grupos de usuários sem paradeiro, que até hoje penam por ressocialização e desintoxicação.

Paro e penso… o que passa pela cabeça dessas pessoas que militam em causa própria? dos políticos que são eleitos e se utilizam do medo pra se autopromover e angariar votos? ou ainda, dos que falam em nome de religiosidade, que fazem discursos de comoção moral, com frases superficiais de incitação ao ódio, motivando uma massa desgastada, angustiada e amedrontada pela violência , que acredita que punir, revidar, matar, levar pra longe de “seus quintais” e impor limites com mais violência ainda, seja a solução?

Há dias em que me sinto impotente, mas me recuso a ficar assim. Pensando num jeito de mudar. Eu posso, você também!