Foto: Maiher Menezes (Divulgação)

Foto: Maiher Menezes (Divulgação)

Segundo cardiologistas, a dança equivale a exercícios físicos e além do bom condicionamento do corpo, permite melhor funcionamento do coração. Em Divinópolis, uma escola de dança tem ido além, e provado mais um benefício da atividade: a inclusão.

Há cinco anos a escola de dança Maiher Menezes iniciou os trabalhos com dançarinos especiais e neste domingo (14), realiza um evento com apresentações e aulas gratuitas na Praça do Santuário. A expectativa é que três mil pessoas passem pelo local até o fim das atividades. Os shows começam às 18h.

Segundo o diretor e professor da escola, Maiher Menezes, através do toque, da convivência e da aceitação das pessoas especiais, a dança inclui todos em um mesmo ambiente. “A dança supera tudo e nela todos podem aprender dentro dos seus limites um pouco ou muitos passos, além de fazer uma terapia e cuidar do corpo”, disse.

Segundo Menezes a primeira oportunidade de trabalhar com limitações, ocorreu há mais de cinco anos. “Através de uma aluna com síndrome de down, que foi até a escola com sua mãe para que pudesse superar alguns traumas na infância, como pequenos problemas motores, dificuldades na concentração e a obesidade que começava a se tornar um problema na sua vida”, disse.

Maiher contou que mesmo retraída e muito envergonhada, a aluna começou suas aulas de dança do ventre, na qual se encaixava melhor, por conta da disponibilidade dos horários da família, e logo depois se inscreveu nas aulas de dança de salão. “Quando apareceu, mesmo sempre sonhando com esta oportunidade, veio um grande medo em saber como lidar com uma pessoa com síndrome de down”, contou o professor.

Ele aceitou o desafio com a seriedade de quem também tinha sede de superação. “Tinha dúvidas na forma como conduzir a aula sem prejudicá-la, a forma em tratá-la, o medo de não conseguir o desenvolvimento pretendido pela escola e pela família”, disse.

A aluna, Mariana Damasceno de 28 anos, contou em entrevista ao G1 que, o que mais valoriza é o carinho que recebe das pessoas. “Eu chego na escola e o professor me chama de meu amor, minha lindona. Sou amiga de todo mundo, dos outros alunos, dos professores. Eu amo dançar. O que mais gosto é a dança de salão”, disse.

A mãe de Mariana, Naria José Damasceno de 64 anos, não conseguiu nem por telefone, esconder o orgulho e a gratidão por ter conseguido inserir a dança na vida da filha. “Eu consigo contar um monte de vantagens. Mas para mim que sou mãe, o mais importante é ver minha filha feliz. A socialização e discipliana que ela conseguu com a dança é impressionante. Ela gosta demais”, disse a mãe.

A maneira estranha de lidar com a situação logo foi se transformando e em pouco tempo, consequentemente a esta abertura dada pela escola, apareceram também crianças do Abrigo Municipal de Divinópolis, que estão sobre custódia da Justiça ou à espera de adoção.

Neste grupo havia duas meninas com dificuldades motoras e outra com limitações intelectuais. Mas uma vez se fez presente o sentimento de desafio. “Foram longas madrugadas tentando desenvolver um método e a melhor forma de agir e conduzir as aulas, uma novidade para mim e também a toda equipe que pudesse ter algum contato com essas pessoas e cheguei a conclusão que elas mereciam uma atenção especial, porém de forma natural, sem alardes, sem exposição na sala de aula e que a mesma disciplina cobrada dos alunos, os mesmos passos, a mesma técnica, a mesma leveza e postura, deveria ser aplicada a todos sem distinção”, destacou.

Fonte: G1