Bom, esse é o primeiro texto que faço para minha coluna no pescador de ideias, então nada melhor do que me apresentar e falar um pouco de mim e da minha vida.

Me chamo Douglas, tenho 26 anos, sou natural de São Gonçalo- RJ. Taurino nato, comilão, brincalhão, meio nervosinho, gay, candomblecista e casado. Tive alguns problemas em minha infância como o assassinato do meu pai quando eu tinha 1 ano e meio, sofri alguns abusos sexuais quando criança mas não, não sou gay por conta desses abusos que sofri, seria gay com abuso ou sem abuso.

Acho importante dizer isso num texto de apresentação, porque por motivos óbvios, meus textos e os assuntos abordados aqui na coluna serão voltados a militância LGBT. Desta forma é importante deixar claro, que o fato de alguém ser gay, não tem relação alguma com o bando de coisa maluca que a gente vê por aí, como stress, possessão, traumas, patologias, inclinações religiosas, efeito do capeta, ou coisas do tipo.

Em função de uma saúde bem debilitada, sempre tive muitos problemas quando criança e viviam acontecendo coisas estranhas comigo. Foi quando minha família,  encontrou-se amparada por uma religião, se apoiando nela, como muitas famílias fazem. Então com 6 anos me iniciei como ogã no candomblé.

Eu não era uma criança fácil, era brigão, fazia muita besteira, mas ao mesmo tempo era meio inocente e bobão. Com os abusos que sofri quando criança fui perdendo essa inocência. Ao mesmo tempo que aquilo me ofendia, era bom e prazeroso, fazendo uma confusão muito grande em minha cabeça. Como uma coisa que me agredia e ofendia tanto, podia ser tão prazerosa? o mais importante de me expor desta forma, logo num texto de apresentação, é que tenho certeza que de alguma forma isso vai ajudar a desmistificar as frases de efeito moral, de pessoas que elencam a homossexualidade a traumas e problemas que toda pessoa está sujeita a viver, muitos deles, silenciosamente e de forma traiçoeira, como a pedofilia.

Com 13 anos resolvi contar sobre minha orientação sexual para minha família. Eles não tiveram uma boa reação quanto a isso, o que foi de grande espanto para mim, já que em minha vida toda, minha casa sempre foi muito frequentada pelas pessoas do meio e não, também não sou gay por conta disso. Até porque minha casa era frequentada por travestis. Lembro que tivemos até uma faxineira trans, seu nome era Scarlet e ela era muito amada pela família, ou seja, se fosse por influencia eu seria uma linda travesti dos cabelos longos, loiros e toda plastificada.

Depois da não aceitação da minha família fui levado a uma psicóloga sexual, embora eu não soubesse muito bem o que era. Em função de toda essa pressão, resolvi desmentir tudo e voltar para o armário. Com isso os abusos continuavam, mas não sei muito bem dizer se eram abusos, pois com o passar do tempo, eu passava a procura-los. Aquilo era estranhamente bom e aquela altura eu já havia me tornado um pré-adolescente.

Com 15 anos resolvi abrir o verbo para a família dos ocorridos e me reafirmei como homossexual, desta vez sem medo do descontentamento de terceiros,  pronto para brigar por quem eu era/sou.

Mas digamos que minha família desta vez teve uma reação um pouco melhor, acho que no fundo eles já sabiam, só precisavam de um pouco mais de tempo para poder internalizar e aceitar isso.

Então comecei a ser “gay” e bota gay nisso! tive muitos namorados, alguns legais, outros não tão legais assim, fui traído, traí, saí, bebi, me diverti bastante. Disso eu não posso reclamar, eu realmente vivi com intensidade.

Com 19 anos fui a minha primeira parada gay em Copacabana, me diverti um pouco, mas nada fora do normal, no final meu amigo quis me apresentar um lugar, o “parque garota de Ipanema”, eu fui, mas andei muito, estavacansado e com os pés doendo pois meu tênis era novo e sabe com é né?

Chegando lá, sentei e aconteceu aquela palhaçada toda dos militares chegarem, fazerem toda aquela pressão psicológica o que me resultou emum tiro na barriga e minha quase morte.

Sem querer ganhei uma visibilidade tremenda, visibilidade essa que eu não queria, apareci tanto nos jornais e tele jornais do Brasil quanto nos do mundo afora.

Depois que a poeira abaixou passei a viver uma vida normal e tranquila sem grandes mobilizações. Quando tudo parecia normal e tranquilo conheci em um aplicativo gay um cara que fez minha vida dar um giro de 180° e conheci o que muitos LGBTs buscam encontrar, o verdadeiro amor.  Esse texto na verdade, além de me apresentar, tem a finalidade de dizer que é possível. É possível ser feliz diante de tantas pressões e de uma sociedade tão opressora como a nossa. Qual a principal ferramenta pra isso? Informação e pra isso estamos aqui.

Bem, falei um pouco de mim e abri portas para diversas discussões e textos futuros como abuso infantil, religião,o movimento LGBT, o impacto da mídia em nossas vidas, amor entre outras “cocitas mas”.

Lembrando que escreverei apenas meu ponto de vista referente a esses diversos assuntos e estaremos abertos a perguntas e discussões futuras. Então é isso, quero poder estar com vocês em outros momentos.

Um beijo a todos;