Flávio Duncan

Apenas porque não é mais possível nos calar…

Em meio ao paiol conturbado e político em que o Brasil se encontra, a proposta de uma “escola sem partido” sem dúvida parece uma proposta absolutamente convidativa, e porque não dizer “coerente”. Hoje, existem cerca de 6 (seis) projetos de lei (com grande visibilidade), tramitando a respeito do tema, na câmara dos Deputados Federais, que figura como parlamento representativo dos Estados brasileiros, que tem o papel de legislar sobre interesses públicos, representar as populações de cada Estado e fiscalizar a utilização e aplicação de seus recursos.

Esses “Projetos de Lei”, conhecidos como “PLs”, tramitam no Brasil, sob os números: PLs 2731/2015, 867/2015, 7180/2014, 1411/2014, 7181/2015 e 1859/2015 . Todos, sem exceção, trazem em sua íntegra trechos que se posicionam contra a doutrinação partidária, ou seja, contra a forma com que se aplica o conteúdo oferecido aos alunos dentro das escolas. No entanto, com um pouco mais de atenção é possível perceber que o intuito, infelizmente é outro.

 

Contraditoriamente, o escopo é defender uma escola doutrinária, que inibe a discussão de assuntos extremamente importantes para formação do ser, fazendo com que o aluno que chega as universidades, chegue impregnado de vícios de má formação e discursos prontos, que infelizmente retratam a realidade de uma população sem o acesso a discussão de temas relevantes ao desenvolvimento.

Tomando-se como exemplo um dos trechos mais famosos da PL 867/2015, onde afirma, que: “São vedadas, em sala de aula, a prática de doutrinação política e ideológica bem como a veiculação de conteúdos ou a realização de atividades que possam estar em conflito com as convicções religiosas ou morais dos pais ou responsáveis pelos estudantes”, é nada mais que uma manobra leviana, para proibir o acesso a diversidade de opiniões entre os alunos em formação. Proibir a discussão de conflitos, baseando-se em convicções religiosas, morais e políticas dos pais ou responsáveis não é o mesmo que combater doutrinação ou ideologia partidária. É proibir a escola, que tem papel fundamental na formação do ser, de trazer assuntos que tem profunda ligação com valores e atitudes as pautas. Uma escola que não discute atitudes, valores e política, deixa de oferecer oportunidade para compreensão e formação, para se tornar um centro de isomorfismo sob o efeito de manada. 

Esse falso movimento liderado pelas bancadas, (grupamentos políticos que se unem através de suas coligações, troca de vantagens e apoio mútuo), infelizmente só atua em militância própria, negligenciando inclusive os objetivos educacionais mundialmente reconhecidos por sua importância, na busca pelo desenvolvimento sustentável, com uma sociedade sem fome e pobreza, valorizando a importância ambiental e a igualdade de gênero.

Resumindo, todo esse movimento que infelizmente incorre no Brasil, nos leva a formação continuada de um país conservador, sexista e hipócrita, onde não se possa mais falar sobre evolução, educação sexual, ou questões de gênero, sem que isso possa conflitar com as convicções dos pais ou responsáveis, desconsiderando-se inclusive que dentro do ambiente escolar, possuímos alunos das mais diferentes realidades, com pais de formações, níveis de instrução e realidades financeiras das mais diversas.
Infelizmente, isso abre prerrogativas para projetos que já tramitam em nosso país, como a contratação de professores para ministrar aulas de religião, desconsiderando-se a laicidade do país em que vivemos. Não há nada mais doutrinário, do que restringir a informação e a discussão de ideias, ao qual o aluno tem acesso. Desta forma, a presente carta que será publicada em todas as redes sociais e replicada no Portal de responsabilidade social brasileiro: www.pescadordeideias.com.br, assim como remetida a todos os veículos de imprensa nacionais e internacionais, inclusive a ONU, retrata a mais pura forma de repúdio as bancadas políticas que fomentam e buscam pela aprovação destes projetos, bem como as PLs, que retratam o intento vil, leviano e grotesco, por um país subdesenvolvido e doutrinado.

Flávio Duncan

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In the midst of the troubled and political landscape in which Brazil finds itself, the proposal of a “school without a party” certainly seems to be an absolutely inviting proposal, and why not to say “coherent”. Today, there are about 6 (six) bills of law (with great visibility), dealing with the subject in the Chamber of Federal Deputies, which is a representative parliament of the Brazilian states, which has the role of legislating over public interests, representing The populations of each State and to supervise the use and application of its resources.

These “Projects”, known as “PLs”, are processed in Brazil, under the numbers: PLs 2731/2015, 867/2015, 7180/2014, 1411/2014, 7181/2015 and 1859/2015. All, without exception, carry in their entirety excerpts that stand against partisan indoctrination, that is, against the way in which the content offered to students within schools is applied. However, with a little more attention it is possible to realize that the intention. Prohibiting discussion of conflicts based on religious, moral, and political beliefs of parents or guardians is not the same as combating indoctrination or partisan ideology. It is to forbid the school, which has a fundamental role in the formation of the being, to bring matters that have deep connection with values and attitudes the guidelines. A school that does not discuss attitudes, values, and politics, ceases to offer opportunity for understanding and training, to become a center of isomorphism under the influence of a herd.

This false movement led by the benches, (political groups that unite through their coalitions, exchange of advantages and mutual support), unfortunately only acts in their own militancy, neglecting even the educational goals worldwide recognized for their importance in the search for sustainable development, With a society without hunger and poverty, valuing environmental importance and gender equality.

In short, all this movement that unfortunately inflicts on Brazil, leads us to the continuing formation of a conservative, sexist and hypocritical country, where we can no longer talk about evolution, sex education, or gender issues, without this being able to conflict with the convictions Of the parents or guardians, even disregarding that within the school environment, we have students from the most different realities, with parents of formations, levels of education and financial realities of the most diverse.

Unfortunately, this opens up prerogatives for projects already in place in our country, such as hiring teachers to teach classes in religion, regardless of the secularity of the country in which we live. There is nothing more doctrinal, than restricting the information and discussion of ideas, to which the student has access. In this way, this letter that will be published in all social networks and replicated in the Brazilian Social Responsibility Portal: www.pescadordeideias.com.br, as well as sent to all national and international press, including the ONU, portrays the purest form of repudiation of the political groups that foment and seek approval of these projects, as well as the PLs.